sexta-feira, 7 de abril de 2017

PONTO PRA QUEM MERECE

Em um universo paralelo, apenas o 14° colocado ganha pontos na Fórmula 1. 
Nesse universo, o campeão de 2016 foi o Kevin Magnussen, e não o Nico Rosberg. 
Particularmente, ainda estou tentando decidir em qual dos dois universos 
eu preferiria estar.

Fazia muito, muito, MUITO tempo que eu não postava nada aqui (uns 3 anos), a ponto de eu mesmo considerar este blog morto. Mas hoje me deparei com um site que tem algo que eu sempre sonhava em fazer, mas nunca tive o know-how necessário – na verdade, o termo correto é que eu sempre tive preguiça de descobrir o know-how, porque com a quantidade de informação e tutoriais disponíveis na internet e no YouTube, não existe mais o "não sei como fazer", só o "ah, outro dia eu descubro".

Enfim, o site em questão classifica todos os pilotos da história da Fórmula 1 de acordo com sua pontuação nas corridas.

"OK", você deve estar pensando, "grandes porcarias. Isso sempre existiu. Qualquer pesquisa rápida no Gugo mostra uma lista atualizada." O problema é que, quando você faz isso, se depara com o seguinte:

Aí a primeira pergunta que surge é: "Ué! O Schumacher, maior ganhador da categoria, com NOVENTA E UMA vitórias e SETE TÍTULOS MUNDIAIS, está só em quinto lugar? Atrás do Rosberg, que tem 23 vitórias e um único título? O que ocorre?"

Ocorre que o sistema atual de pontuação – 25 pontos para o ganhador, 18 para o 2°, 15 para o 3°, 12 para o 4°, 10 para o 5°, 8 para o 6°, 6 para o 7°, 4 para o 8°, 2 para o 9° e 1 para o 10° – foi introduzido em 2010. 

Antes disso, o sistema era bem mais enxuto, com apenas 10 pontos para o ganhador, 6 para o 2°, 4 para o 3°, 3 para o 4°, 2 para o 5° e 1 para o 6°.

Na verdade, antes dessa mudança, o sistema de pontuação já havia sido alterado inúmeras vezes, mas nunca de forma tão radical. Para se ter uma ideia, o sistema utilizado lá em 1950 era de 8 pontos para o ganhador, 6 para o 2°, 3 para o 4° e 2 para o 5°, com um ponto extra para o piloto que tivesse feito a volta mais rápida. 

Com poucas mudanças aqui e ali – tipo aumentar o número de pontos do ganhador de 8 para 9 na década de 60, e depois para 10 nos anos 90 – o resto dos pontos permaneceram praticamente os mesmos até 2003, quando alteraram a distribuição para que até o 8° colocado ganhasse ponto na corrida: 10 pontos para o 1°, 8 para o 2°, 6 para o 3°, 5 para o 4°, 4 para o 5°, 3 para o 6°, 2 para o 7° e 1 para o 8°.

Até certo ponto, foi uma mudança considerável quando comparamos com 1950 – os 8 pontos que o Fangio ganhava pela sua vitória agora seriam os mesmos que o Barrichello ganharia pelo seu inevitável 2° lugar – mas por outro lado, também não era uma ruptura completa com o sistema e, se alguém perguntasse para você qual o piloto que com mais pontos na Fórmula 1, uma forma inteligente de acertar o palpite seria usar o número de vitórias para ter um indicativo do piloto mais bem-sucedido.

Só que isso tudo mudou em 2010, quando o sistema de pontuação foi alterado radicalmente. Agora, os DEZ primeiros colocados ganhariam pontos, e eles seriam distribuídos da seguinte maneira: 25 para o 1°, 18 para o 2°, 15 para o 3°, 12 para o 4°, 10 para o 5°, 8 para o 6°, 6 para o 7°, 4 para o 8°, 2 para o 9° e 1 para o 10°.

Para ter uma ideia do que isso significa na prática, para ganhar o mesmo número de pontos que uma única vitória oferece nos dias de hoje, o Fangio teria que ganhar 3 corridas em 1950 e ainda fazer a melhor volta em uma delas. Com esse tipo de diferença, é óbvio que o conceito de pontos totais na Fórmula 1 virou um número vazio, que acaba não sendo representativo de 85% das corridas já realizadas até hoje, que atribuíam entre 8 a 10 pontos ao ganhador.

Por exemplo, olhando apenas o total de pontos acima, é fato que:
  • Com apenas duas temporadas completas, o Max Verstappen já tem mais pontos do que 15 campeões mundiais;
  • O Grosjean – essencialmente “nada” em forma de piloto de Fórmula 1 – é o 26° piloto com mais pontos na história;
  • Para superar o número de pontos do Barrichello, seu compatriota Ayrton Senna teria que ter ganho 5 provas a mais na década de 90;
  • Em 2010, depois de uma temporada burocrática, em que foi obliterado pelo companheiro de equipe Fernando Alonso e não ganhou uma única corrida, Felipe Massa fez o mesmo número de pontos que Michael Schumacher havia feito em 2002, só que naquela temporada o alemão foi ao pódio em TODAS as corridas da temporada e ele foi campeão com quase o dobro de pontos do segundo lugar, Rubens Barrichello;
  • Mesmo com seus CINCO títulos mundiais, o Fangio não está nem entre os 30 maiores pontuadores da categoria (está em 32°).
Em outras palavras, o total de pontos não serve pra nada, e isso é algo que sempre me angustiou profundamente (por "sempre", entenda-se desde 2010).

Porque afinal um total de pontos DEVERIA servir para alguma coisa, ser representativo dos pilotos que mais ganharam e mais foram ao pódio. Então percebi que era a hora de fazer alguma coisa para reparar essa distorção e, no final de 2010, decidi que montaria um site com estatísticas atualizadas a cada nova corrida, mostrando uma classificação histórica em que os mesmos critérios valessem para todos os pilotos, de todas as épocas.

Ou seja, pegaríamos todos os resultados, desde o primeiro grande prêmio, realizado em Silverstone em 1950, e atribuiríamos aos pilotos a mesma pontuação que é dada hoje, resultando em um ranking muito mais justo e representativo.

Sete anos depois, eu ainda não havia feito isso por causa da já conhecida preguiça, mas aí hoje eu descobri que nem todo mundo padece do mesmo mal. Este site bacana fez exatamente o que eu posterguei durante quase uma década e produziu o tal ranking histórico, permitindo ainda que você escolha qual o tipo de pontuação que deseja usar dentre todas as variantes já usadas no campeonato. 

Por exemplo, olha como seria o ranking de todos os tempos se todas as corridas tivessem utilizado a pontuação que usamos hoje:


Aparentemente agora tudo faz sentido, porque o Schumacher está em primeiro, mas quando analisamos um pouco mais a fundo, percebemos o quanto a pontuação é um mero "detalhe" na Fórmula 1.

Digo isso porque, mesmo nesse que é o mais justo dos rankings de pontuação, uma coisa não muda: apesar de seus CINCO títulos mundiais, o Fangio não está nem entre os 30 maiores pontuadores da categoria.

É um dado curioso, mas com uma explicação bem simples. 

Sabe o Max Verstappen, que tem apenas duas temporadas completas e já tem mais pontos do que 15 campeões mundiais? Pois até o meio desta temporada ele supera o total de corridas que o Fangio fez durante TODA A CARREIRA.

Ou seja, se em 1950 tivemos apenas 7 grandes prêmios, hoje temos VINTE, e aí fica bem mais fácil para um piloto acumular pontos, né não?

Mas olha só como muda tudo se a gente calcula o número de pontos versus a quantidade de corridas (a conhecida MÉDIA DE PONTOS):


Olha o pessoal dos anos 50 e 60 aí de novo!

Outra coisa é que dá pra perceber o quanto o Hamilton se beneficiou (e beneficia) de ter estado sempre em uma equipe de ponta, e de como talvez tivesse sido uma boa ideia para o Schumacher ter mantido sua aposentadoria depois da Ferrari e evitado aqueles 3 anos de fiasco na Mercedes.

Enfim, muito interessante o site (pra quem ama Fórmula 1).

Mas o link está lá em cima, então não vou ficar postando gráfico após gráfico aqui, porque é só você ir no site e fuçar à vontade.

Mas antes de ir embora para voltar sei lá quando com um post novo, vale falar de um último recurso interessante que o site tem. Ele permite que você atribua sua própria pontuação às provas para ver como determinada temporada se desenrolaria nesse cenário específico. 

Por exemplo, se você quiser criar um campeonato em que apenas o 14° lugar ganhe pontos, o resultado está na imagem que abre este post.

Mas confesso que, quando vi esse recurso, na hora pensei naquela temporada fantástica do Schumacher em 2002. Já pensou se a gente mudasse a pontuação pra que todas as posições de chegada - do 1° ao 20° - ganhassem 1 ponto cada, mas atribuísse 10 pontos só para o SEGUNDO colocado? 

Aí o nosso eterno vice, o REI DO SEGUNDO LUGAR, finalmente teria chance de se sagrar campeão do mundo, né?

Vamos ver o que acontece:


Nuoss... Nem assim?

terça-feira, 24 de junho de 2014

COPA 2014 - DEFINIÇÃO DO GRUPO C - DEFINIÇÃO DO GRUPO D

Aqui o exato momento em que Luiz Suárez MORDE o italiano Chiellini. 
Eu pensei em algo engraçado pra escrever aqui, mas a cena em si já é tão 
ridiculamente surreal que acho que nem precisa. Ainda mais porque esta 
é a TERCEIRA VEZ que Suárez faz isso. Please, né?

E chegou o dia em que o tal Grupo da Morte, que tinha 3 campeões mundiais e teoricamente viria apenas dois deles passarem para as oitavas, conhecer o único campeão que sobreviveria ao grupo da Costa Rica.

Surpreendendo até o mais otimista costa-riquenho, o país detonou não só o Uruguai, como também a Itália, classificando-se com antecedência para as oitavas e deixando a vaga restante para ser disputada entre Itália e Uruguai (a derrota para a Itália eliminou as chances da Inglaterra ainda no segundo jogo).

Costa Rica e Inglaterra se enfrentaram num jogo meramente para cumprir tabela e o jogo foi morno e burocrático. Como nos jogos contra Itália e Uruguai, a Inglaterra atacou mais do que o oponente, mas a bola simplesmente não entrou.

E, como a Costa Rica não estava lá muito afim de pressionar seus jogadores e queria poupá-los para as oitavas de final, a equipe se limitou a defender com alguns ataques esporádicos.

Final de Copa melancólico pro English Team, que jogou muito bem contra a Itália e razoavelmente bem contra o Uruguai, mas teve sua vaga negada pelos cruéis deuses do futebol (que têm uma quedinha pelos times latinos).

O jogo que importava de verdade, porém, era Itália e Uruguai, porque um dos dois iria acompanhar a Inglaterra de volta para casa.

Desde o começo do jogo, o Uruguai demonstrou mais empenho na busca pela vitória, até porque o empate bastava para os italianos. Mas apesar de chegar ao ataque com uma certa facilidade, a Celeste pecava na hora de finalizar, e quando conseguia, Buffon fazia milagres.

As coisas começaram a ficar feias para os italianos quando Balotelli decidiu pular-carniça sobre Pereira, no que mais pareceu uma tentativa de decapitá-lo com sua virilha. O juiz, que havia “deixado passar” as faltas anteriores do italiano, achou que tudo tinha um limite e mostrou o cartão amarelo. 

Com isso, caso a Itália passasse para a próxima fase, Balotelli teria que assistir à partida no banco. Felizmente para ele, os próximos acontecimentos do jogo permitiriam a ele que assistisse à próxima partida no conforto do seu sofá de casa, assim como toda a Azzurra.

Porque com o jogo chegando ao seu final e a Itália cada vez mais classificada, veio uma falta completamente desnecessária de Marchisio (pior ainda, uma falta de ATAQUE) a 2 metros do juiz. Sem hesitação e com toda a justiça, o árbitro sacou o cartão vermelho e mandou Marchisio pra fora de campo. A Itália agora se via com 10 jogadores contra um Uruguai disposto a lutar por essa vaga com unhas e dentes.

E Mike Tyson Luiz Suárez optou pelos dentes, ao literalmente MORDER Chiellini no ombro enquanto esperavam um cruzamento na área. Por mais absurdo que isso possa parecer, não é a primeira vez que ele faz isso. Na verdade, Suárez já havia feito isso quando jogava no Ajax e depois quando defendia o Liverpool. Em ambas as ocasiões, o uruguaio levou pesadas suspensões, mas parece que não aprendeu.

Apesar do juiz não ter visto o lance na hora, o camaronense Song foi suspenso pela FIFA por 3 partidas por uma cotovelada em Mandžukić, então o mínimo que se espera é que a entidade suspenda o Hannibal Lecter uruguaio com o mesmo rigor (ou até mais, visto o tamanho dos dentes de Suárez).

De qualquer maneira, com um jogador expulso e os que restavam sendo mastigados por Suárez, a Itália começava a ver sua classificação ficar cada vez mais duvidosa. Eles tinham Buffon, mas até ele era humano, e num cruzamento no finzinho do jogo, Godin cabeceou e fez.

E, pela segunda vez consecutiva, a Azzurra não passava da primeira fase na Copa do Mundo. Boa notícia para o Brasil, que não corre riscos de ver outro país ser penta, boa notícia para a Alemanha, que tem chances de igualar o tetra italiano, e boa notícia para você que gosta de futebol, porque o calcio retrancado jogado pelos italianos é FEIO DEMAIS. Já foi tarde. Arrivederci.

Mais à tarde, tivemos a definição do Grupo C, que tem Colômbia, Costa do Marfim, Japão e Grécia.

A Colômbia tem um timaço. Tendo ganhado os dois primeiros jogos,a Colômbia poderia até ter se dado o luxo de não aparecer para o jogo contra o Japão, perder por WO (2x0) e mesmo assim ter se classificado como líder do Grupo C.

Só que ela apareceu e, para o azar do Japão, decidiu mandar um recado para as outras seleções de que esta era provavelmente a melhor seleção da história da Colômbia (sim, eu sei que isso é quase tão relevante quanto dizer que “este é o semáforo mais eficiente de Carapicuiba”, mas o fato é que o time da Colômbia é realmente um dos grandes times desta Copa).

Se o Japão tinha alguma esperança deste jogo, com certeza o atendente do aeroporto de Guarulhos já começou a emitir as passagens rumo a Tóquio quando Yasuyuki Konno fez pênalti em Adrian Ramos, logo aos 17 minutos. Cuadrado chutou e fez Colômbia 1x0.

Os japoneses ainda conseguiram empatar nos descontos do primeiro tempo, mas o que se seguiu no segundo sepultaria as chances nipônicas de uma vez por todas.

Foram mais 3 gols contra  a meta de Kawashima e a Colômbia selava a classificação, assim como a eliminação japonesa.

Aconteceu um fato legal no jogo, aos 45 do segundo tempo. O goleiro Ospina saiu de campo e deu lugar a Faryd Mondragón, que havia jogado a Copa de 1994 e 1998 (sim, 1994 e 1998), últimas duas Copas em que a Colômbia participou. Com isso, ele se tornava o jogador mais velho a jogar uma Copa do Mundo, aos 43 anos. Muito bacana a atitude do técnico José Pekerman, e foi deveras emocionante ver a entrada em campo do veterano goleiro depois de 16 anos.

A participação de Mondragón bate o recorde de Roger Milla (lembram dele?), que havia jogado contra a Rússia em 1994 aos 42 anos. Parece que está havendo um complô contra Milla nesta Copa, porque no jogo entre Alemanha e Gana, Asamoah Gian havia igualado justamente o seu recorde de 5 gols marcados por uma equipe africana em Copas do Mundo. Pelo visto, está todo mundo empenhado em apagar todas as marcas do simpático camaronense de uma vez.

Mas enquanto isso tudo acontecia, rolava também outro jogo decisivo entre Costa do Marfim e Grécia. Quase que uma mera formalidade, uma vez que a Grécia havia conseguido um único ponto até agora e a Costa do Marfim contava com um time agressivo e eficaz, com as estrelas Drogba e Gervinho.

A vitória marfinense parecia ainda mais certa quando a Grécia teve que substituir dois de seus jogadores por contusão – Kone por Samaris, e o goleiro Karnezis por Glykos, ainda no primeiro tempo.

Vitória CERTA de Costa do Marfim. Só que esqueceram de avisar para a Grécia. E aos 32 minutos, Samaras chutou com força e quase fez, com a bola martelando o travessão. Aí, minutos depois, como Samaras não tinha conseguido, foi a vez de sua versão mussum Samaris tentar. E ele fez.

Surpreendentemente, a Grécia estava ganhando o jogo, e isso mudava TUDO na classificação (menos a Colômbia, claro). Com uma vitória, os gregos iriam a 4 pontos, sendo que os marfinenses tinham apenas 3. Em português claro, a Costa do Marfim estava fora da Copa.

No segundo tempo, a Costa do Marfim decidiu que teria que ir pra cima, só que os gregos também continuaram atacando e o jogo era lá e cá. Até que, aos 30 minutos do segundo tempo, Bony venceu a marcação grega e fez o gol de empate, colocando a Costa do Marfim de volta no páreo.

Os gregos foram para o ataque e o jogo foi tenso até o final. E aí, quando já estávamos nos descontos e começávamos a escrever “Costa do Marf...” na tabelinha, veio um pênalti marfinense em cima de Samaras. Ninguém que estava em campo, no estádio e no mundo conseguia acreditar no que estava acontecendo. Aos 47 minutos do segundo tempo, Samaras batia o pênalti que eliminava a Costa do Marfim e classificava a Grécia nas oitavas de final.

Só eu estou sentindo uma incômoda sensação de déjà vu ao pensar na Euro Copa de 2004?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

COPA 2014 - DEFINIÇÃO DO GRUPO A - DEFINIÇÃO DO GRUPO B

O jogo estava 1x1 quando os a leitura labial captou a seguinte conversa 
entre os jogadores Allan Nyom e Joel Matip, de Camarões: 
"Ei Allan, sabe o nome daquele brasileiro que joga pra Croácia?"
"Hm... ah sei! Eduardo."

"Não não, o nome dele é Marcelo!"
"HUAHUAHUAHUAHAUAHU"

A câmera ainda flagra Marcelo balbuciar "Pô, mancada aê..." antes do Brasil 
fazer mais 3 gols e parar com as risadinhas camaronenses de uma vez por todas.


E lá vamos nós pra parte mais séria desta Copa do Mundo: a rodada final da fase de grupos e as lágrimas copiosas dos que deixam o Brasil de volta para casa (tipo a Espanha, por exemplo).

Nessa última rodada, os jogos dos grupos acontecem simultaneamente, para impedir que alguém “jogue pelo resultado do outro jogo” e garantir que todos os times entrem em campo dispostos a lutar com todas as forças por aquelas vaguinhas que ainda restam.

Não foi o caso para Espahna e Austrália, uma vez que os dois países já haviam carimbado o passaporte de volta para casa ao fim da segunda rodada, mas para muitos países, a classificação para as oitavas ainda é um sonho (às vezes meio IMPOSSÍVEL, como é o caso de Portugal com o MELHOR DO MUNDO, Cristiano Ronaldo).

O jogo entre Austrália e Espanha não valia nada a não ser uma saída mais honrosa do Brasil, e os espanhóis ao menos conseguiram isso. Venceram o jogo contra a boa, mas altamente desmotivada, Austrália por 3x0. Com isso, a Espanha se livra do risco de replicar a péssima campanha da campeã França em 2002, em que ela entrou como detentora do título da Copa passada e não conseguiu marcar um golzinho que fosse, sendo eliminada logo na primeira fase.

A Espanha se esforçou para isso, mas no final das contas, conseguiu 3 golzinhos contra a já eliminada Austrália, conseguindo ao menos encerrar sua participação na Copa vencendo.

Outra coisa digna de nota deste jogo foi o fato de que a Espanha jogou com seu segundo uniforme – o preto. Como havia usado o terceiro – branco – contra a Holanda e o titular – vermelho – contra o Chile, a Espanha agora se junta à França como país que jogou uma Copa do Mundo usando 3 uniformes diferentes. Claro que, no caso dos franceses, não foi algo que havia sido premeditado. 

Eles haviam jogado os dois primeiros jogos da Copa com seus uniformes titular e reserva, mas chegaram no estádio para encarar a Hungria no terceiro jogo trazendo apenas suas camisas brancas, as mesmas que os húngaros haviam trazido. A atitude dos franceses foi para protestar (claro) contra a má arbitragem da Copa, mas até hoje me pergunto o que eles esperavam que fosse acontecer.

O que aconteceu de fato foi que o juiz da partida (por sinal o Arnaldo Cézar Coelho, aquele mesmo que comenta a arbitragem na Globo), falou que "isso não pode" e ele não iria começar o jogo enquanto os franceses não arranjassem camisas de outra cor. A solução foi pegar emprestado um jogo de camisas listradas em verde e branco, pertencente ao time amador argentino Kimberly.

Curiosamente, ambas as equipes que jogaram com 3 uniformes não tiveram a chance de repetir nenhum deles na Copa, porque tanto França em 1978 quanto Espanha em 2014 foram eliminadas logo na primeira fase.

Enquanto isso, Holanda e Chile se enfrentavam num jogo difícil, porém com poucas chances de gol. A impressão era que os times estavam se estudando e evitando correr riscos, o que me pareceu uma atitude sensata já que o segundo do grupo já pegava a pedreira que é o Brasil logo nas oitavas.

Como a Holanda liderava o Grupo B, jogava pelo empate, o que colocava a responsabilidade de ir atrás do resultado nas costas do Chile.

Após um primeiro tempo morno, os times voltaram mais agressivos na segunda etapa, mas com a Holanda conseguindo atacar mais. Até que, aos 32 minutos do segundo tempo, Fer cabeceou na área, sem defesa para o goleiro Bravo (Bravo é o nome do goleiro, não um adjetivo que estou usando para descrever como ele ficou ao levar o gol, apesar de ele ter, sim, ficado bravo).

Ao Chile não restava alternativa senão ir pra cima da Holanda, mas a bola cismava em não entrar. E quem muito ataca sempre acaba proporcionando espaço para contra-ataques, o que não costuma ser muito recomendado quando se tem gente como o Robben no time adversário.

E os chilenos sentiram isso na pele quando o veloz atacante do Bayern de Munique saiu em disparada pelo campo e cruzou a bola na área para que Depay marcasse o segundo da Laranja Mecânica, aos 45 do segundo tempo.

Resultado: Holanda primeira do grupo, Chile segundo. A "honra" de ter que pegar o Brasil nas oitavas sobrou para os chilenos.

E falando de Brasil, às 17h00 tivemos o término da fase de grupos para o Grupo A também.

O Brasil pegava a já eliminada seleção camaronense, enquanto Croácia e México se digladiavam para ver quem ficaria com a segunda vaga.

O jogo entre croatas e mexicanos começou com a Croácia esperando pelo México e buscando definir o jogo num contra-ataque.

Até a metade do segundo tempo, o jogo foi assim, com o México atacando e a Croácia tentando o contra-ataque. Mas aí, durante uma desses ataques mexicanos, aconteceu algo que não estava nos planos dos croatas: o México fez o gol. Aí fez de novo. E aí fez de novo.

Num período de 10 minutos, os mexicanos haviam feito 3x0, aniquilando as chances croatas de ainda sonhar com a vaga. Desesperada, a Croácia ainda conseguiu fazer um golzinho de honra no final do jogo, mas a fatura estava liquidada. Croácia fora da Copa e México agora tendo que encarar a Holanda nas oitavas.

No outro jogo do grupo, a previsão era de um jogo relativamente fácil, com Camarões já de malas prontas para voltar pra casa e, para piorar para eles, desfalcados de suas estrelas Eto’o e Song.

Então não foi surpresa nenhuma quando Neymar abriu o placar aos 17 minutos. O que FOI surpresa foi ver Matip empatar a partida minutos depois, aproveitando um cruzamento na área brasileira que ninguém cortou. 

Neste instante, por incrível que pareça, Camarões jogava mais do que o Brasil e já havia até mandado uma bola na trave. Alguns começavam a fazer cálculos, pensando nos riscos do país acabar a primeira fase na segunda posição, na perspectiva de pegar a Holanda, etc., etc.

Mas estava claro que o Brasil era o time superior na partida e que era só acertar a mão (ou neste caso o pé) que o gol sairia logo.

Não só isso acabou acontecendo aos 35 do primeiro tempo, como também viria acontecer mais duas vezes no segundo tempo. Ao todo foram 2 gols de Neymar, um de Fred (que agora ostenta um bigodón à la Lenny Killminster, emblemático vocalista do Mötorhead) e um de Fernandinho, que havia acabado de entrar.

Não sei se podemos dizer que o Brasil proporcionou uma exibição de gala, mas o fato é que a Seleção evidentemente não jogou tudo que podia. Agora contra o Chile, a história vai ser outra e a seleção andina já mostrou que é forte e talentosa.

Se ela tem forças pra ganhar do Brasil, honestamente acredito que não. Meu palpite é para um Brasil x Holanda nas quartas. Repeteco de 2010. 

domingo, 22 de junho de 2014

COPA 2014 - BÉLGICA x RÚSSIA - ARGÉLIA x COREIA DO SUL - EUA x PORTUGAL



O MELHOR DO MUNDO Cristiano Ronaldo aproveita as câmeras 
para fazer o que fez durante a Copa toda: NADA.


E aqui vamos nós fechando a segunda rodada da primeira fase da Copa de 2014.

O dia começou com o duelo entre Bélgica e Rússia, briga direta pela liderança do Grupo H. 

A Rússia jogava com seu segundo uniforme, que eu particularmente considero o mais bonito da Copa devida à sua representação gráfica do mundo que Iuri Gagarin viu quando se tornou o primeiro ser humano a ir ao espaço em 1961. Anotem aí: ainda vou comprar essa camisa.

Enfim, a Bélgica havia ganho meio que no sufoco contra Argélia e a Rússia havia empatado graças ao FRANGO do goleiro Akinfeef contra a Coreia do Sul. 

Então esperava-se um amplo domínio “belgo” (como diria meu filho) no jogo. No entanto, não foi bem isso que aconteceu.

Foi um jogo muito aberto, com o time da Bélgica sendo velocíssimo, mas faltando algo lá na frente porque a bola se recusava a entrar. Já a Rússia chegava com perigo e parecia muito perigosa. Mas a rigor, nada muito eletrizante acontecia ao longo da partida.

Ambos os goleiros fizeram boas defesas e neutralizaram o ataque dos oponentes. Akinfeev se redimiu algumas vezes do frango contra a Coreia do Sul e Courtois mostrou porque é considerado um dos melhores do mundo. Típico jogo de empate.

Mas aí, quando tudo parecia estar definido para ambas as seleções, veio o gol-surpresa de Origi aos 43 do segundo tempo. Ducha de água fria na Rússia, que havia jogado um bolão durante o jogo e não merecia sair perdedora do confronto. 

Mas o futebol às vezes não tem a ver com quem merece ou não merece. Ele simplesmente “é”. 

Filosófico isso, não?

Enfim, Bélgica (classificada para as oitavas) 1x0. O resto do Grupo H ficou com a incômoda situação de ter que definir quem leva a segunda vaga no tapa.

E aí tivemos o segundo jogo do dia, entre Coreia do Sul e Argélia.

O técnico argeliano decidiu mudar drasticamente o time para esta partida, alterando 5 jogadores que tinham entrado em campo contra a Bélgica, e foi muito criticado opr isso. Mas a mudança parece ter surtido efeito.

Porque ao final do primeiro tempo o placar era 3x0 para a Argélia, cortesia de gols de Djabou, Halliche e Slimani. Com um volume de jogo infinitamente superior ao da Coreia do Sul, os argelinos poderiam ter feito muito mais, mostrando que o jogo contra a Bélgica não tinha sido uma aberração, mas talvez uma demonstração econômica do futebol da Argélia?

De qualquer forma, no segundo tempo, os coreanos decidiram tentar fazer algo para evitar o vexame e foram para o ataque. E aos 5 minutos no segundo tempo, o ataque deu certo: Son Heungmin fez e reduziu: 3x1.

Mas a Argélia se mostrava um time muito superior e decidiu mostrar que esse ataque dos coreanos não era algo que deveria ser levado muito a sério. Foram para o ataque e, 12 minutos depois, Brahimi fazia 4x1. 

Derrotados em campo, os coreanos ainda conseguiram achar um lampejo de força para reduzir a goleada para 4x2, no fim do jogo, com o gol de Koo Jacheol, mas isso não fez muita diferença.

No final das contas, jogaço da Argélia, que com isso assume a segunda posição do Grupo H e encara a Rússia na última rodada, num jogo que, contrariando todas as expectativas que tínhamos até então, deve ser ESPETACULAR.

E às 19h00, para finalizar a rodada, veio o jogo entre Estados Unidos e Cristiano Ronaldo Portugal. A sorte da seleção portuguesa é que existia a Espanha, o que tornou sua participação menos patética nesta Copa do Mundo, uma vez que a apresentação contra a Alemanha havia sido pífia.

Antes do apito inicial, o que se esperava para esta partida era que Portugal, mesmo desfalcado de Fábio Coentrão e Pepe, juntasse os cacos e fizesse o que fosse necessário para que o MELHOR DO MUNDO Cristiano Ronaldo brilhasse. Afinal, o massacre alemão havia sido decorrência da expulsão de Pepe, que havia obrigado Portugal a jogar com 10. Mas gora que estava jogando com 11...

... a mesma coisa aconteceu. 

Portugal se fechou na defesa e ficou esperando o ataque americano.

Até que uma burrada monumental de Cameron, que tentou se livrar uma bola para dentro da própria área, fez com que ela caísse bem no pé de Nani, que não perdoou e fez 1x0 para Portugal. Isso aos 5 minutos.

O gol não abalou a seleção americana, e o time foi pra cima, demonstrando muito mais vontade de vencer do que o time luso. Cristiano Ronaldo não existia e os EUA armavam boas jogadas, sugerindo que o gol de empate era uma questão de tempo. 

De modo geral, os EUA deram um banho nos portugueses em termos de estratégia, e os ataques da equipe americana levavam muito mais perigo do que os raros avanços portugueses. 

Parecia que o gol viria aos 11 do segundo tempo, quando o goleiro Bento saiu sem sucesso para tentar interceptar um cruzamento e deixou o gol livre para Bradley, que chutou no gol, mas a bola encontrou a perna salvadora de Ricardo Costa. 

O toque evitou o que definitivamente teria sido o gol de empate americano e os portugueses devem ter comemorado muito essa defesa heroica. Mas com certeza se esqueceram dela aos 19 minutos, quando o chute de Jermaine Jones não bateu na perna de ninguém e entrou no gol, fazendo com que o jogo ficasse em 1x1.

A partir daí, o jogo foi só pressão americana e não foi surpresa nenhuma quando, 15 minutos depois, os EUA ampliaram o placar com um chute de Clint Dempsey (aquele que havia feito o gol rapidinho contra Gana). USA 2x1.

Portugal pouco fazia, e o resultado parecia definitivo. A vitória dos EUA significava a eliminação de Portugal e a classificação dos americanos como primeiros do Grupo G, tornando o próximo jogo ente EUA e Alemanha num jogo de comadres, com ambos os times jogando pelo empate para ir às oitavas.

Só que de repente veio um contra-ataque português, já nos acréscimos, Varella cabeceou a bola dentro da área americana e empatou o jogo para os portugueses.

Empate totalmente injusto pelo que Portugal mostrou em campo, mas resultado que dá um breve lampejo de sobrevida à equipe lusa.

Improvável Portugal passar de fase, visto que Alemanha e EUA continuam se enfrentando num jogo de comadres, com ambos os times jogando pelo empate para ir às oitavas.

Mas enfim, amanhã começa a última rodada da primeira fase. Agora não há mais espaços para erros.

Vamos ver o que acontece.