terça-feira, 28 de dezembro de 2010

DADDY GOES DEXTER

"Sim, é definitivamente a mão da empregada dos Browns...
mas estava no lixo do oitavo andar, então NÃO PODE
TER SIDO ELES!"




Inegável que nossos pais são uma fonte inesgotável de aprendizado.

Foi com eles que aprendi a andar, a falar, a escrever, a dizer obrigado a cada nova gentileza e, no fim da década de 90, a me livrar de corpos esquartejados.

Não acho que esta última lição tenha sido intencional, mas confesso que quando assisto a um episódio de Dexter hoje em dia, alguma coisa do que o psicopata forense faz para eliminar suas vítimas me passa uma impressão de déjà vu. E acho que os responsáveis por isso foram justamente meus pais.

O que ocorreu foi o seguinte. Íamos mudar de apartamento e, no fim de semana da mudança, foram várias as viagens, com caixas contendo livros, CDs, utensílios, roupas, etc.

Maus pais tinham uns 10 quilos de carne congelada e, como tínhamos que desligar o freezer para fazer a mudança, meu pai colocou a carne toda (devidamente embalada, claro) na banheira.

A ideia era sair distribuindo as peças de carne para todos que conhecíamos porque, como todo mundo sabe, uma vez que um alimento congelado é descongelado, ele não pode ser re-congelado, devendo ser consumido imediatamente (a quem quiser mais informações, deem uma olhada nesta reportagem da MundoEstranho)

O problema foi que, com todo o estresse da mudança, meu pai acabou esquecendo da carne na banheira durante o fim de semana, e só se deu conta disso quando voltou ao apartamento para fazer uma última vistoria.

Ao encontrar 10 quilos de carne descansando numa banheira, meu pai ligou para a minha mãe atrás de orientações.

A ideia dele – simples e sensata na opinião deste que vos escreve – era jogar fora a carne e voltar para casa. Mas minha mãe tinha outros planos:

“Não! Imagina o que os vizinhos vão pensar se a gente JOGAR FORA 10 quilos de carne com tanta gente passando fome neste país!”

O interessante é que esta frase poderia até ser digna de louvor, dada a preocupação da interlocutora pela fome mundial. Mas o fato é que a carne já não se encontrava em condições de consumo, o que significa que o único motivo justificável contra a ação de jogar fora o alimento estragado era o fato da vizinhança ficar com a IMPRESSÃO de que minha mãe jogava fora comida.

Acho pertinente reforçar que estamos falando de um apartamento de que estávamos SAINDO e que dificilmente veríamos estes vizinhos de novo, mas minha mãe evidentemente não queria correr riscos, porque deu as seguintes ordens a meu pai:

“Se você jogar fora tudo aquilo no lixo, vão ver e achar que a gente não está nem aí para quem passa fome neste país. Então o que você vai fazer é cortar a carne em pedaços pequenos e se livrar de tudo aos poucos, dando descarga NA PRIVADA.”

Inacreditavelmente, meu pai acatou as ordens da minha mãe e começou o longo e entediante processo de cortar carne crua em pequenos pedaços, jogar os pedaços na privada e dar a descarga.

Deu certo durante as primeiras levas de carne. Mas, como era de se esperar, depois de um tempo a privada entupiu. O que gerou um novo telefonema para minha progenitora, que à esta altura parecia uma vilã diabólica vinda de um filme do James Bond.

“Hm... entupiu... deixa pensar... ah! Já sei! Vamos ter que jogar no lixo!”

Surpreso por ter sido esta a sua ideia original, meu pai comentou que havia dito isso desde o começo, mas minha mãe continuou:

“Mas não quero que ninguém pense que foi a gente que jogou fora 10 quilos de carne. Então você vai pegar 10 sacos de lixo e dividir a carne nestes 10 sacos.”

Inicialmente confuso quanto a que diferença isto faria, ele perguntou o motivo deste trabalho todo, ao qual recebeu a seguinte – e brilhante – resposta:

“Porque o prédio tem 10 andares. Então você vai subir até o décimo andar e deixar um saco de carne podre no lixo de cada andar. Aí, quando recolherem o lixo amanhã, ninguém vai saber que foi A GENTE que jogou fora a carne!”

Meu pai então dividiu a carne em 10 sacos de lixo, foi até o elevador, subiu até o último andar do prédio, e deixou cada um em um andar.

Não sei o que acrescentar ao relato fora o surpreendente fato de que isso REALMENTE ACONTECEU. E pagaria para ver as imagens das câmeras de segurança do prédio flagrando meu pai jogando sacos de carne em putrefação no lixo alheio DEZ VEZES CONSECUTIVAS.

Um comentário:

alebf disse...

é genético...está comprovado!