Alonso dá um merecido abraço em Sergio Perez, piloto da Sauber
que tinha tudo para ganhar o GP da Malásia de 2012. Tudo menos
a sorte quase sobrenatural de Fernando Alonso...E uma semaninha após o GP inaugural da temporada, lá vamos nós para mais uma prova de horário ingrato – 5h00 da matina. Urgh.
Mas, horário ruim ou não, lá estávamos nós sentados diligentemente esperando pelo início da prova na Malásia. Como na corrida da Austrália, as McLaren dominaram e Hamilton fazia sua segunda pole consecutiva, seguido por Jenson Button, ganhador da primeira prova.
Atrás deles, o bom e velho Michael Schumacher, seguido por Mark Webber, que só não era seguido por Kimi Raikkonen porque o finlandês tinha sido penalizado em 5 posições no grid por trocar sua caixa de câmbio.
Assim, atrás de Webber, vinham Vettel, Grosjean, Rosberg e Alonso. Para quem não estava contando, o Alonso largava em oitavo. Atrás dele, largava um tal de Sergio Perez.
A corrida começou com pista molhada e todo mundo com a obrigatoriedade de largar com pneus intermediários ou para chuva. Na largada, o duo da McLaren seguiu sem incidentes enquanto Schumacher e Grosjean se tocavam e eram obrigados a ir para os boxes.
As condições da pista eram estranhas, porque certas áreas pareciam secas e outras um lago artificial no meio da pista, o que tornava a escolha dos pneus um tanto complicada para os pilotos. Mas, por um lado, essa escolha ficou bem mais simples quando começou a chover forte. Na volta 5, todo mundo parou para trocar seus intermediários para pneus de pista encharcada. O primeiro a fazer isso, diga-se de passagem, foi o tal do Sergio Perez.
Com isso, no final da primeira rodada de paradas, a ordem era: Hamilton, Button, PEREZ, Webber e Alonso.
O aguaceiro era tanto que lá veio nosso bom e velho Buzz Maylander, pilotando sua Mercedes em forma de Safety Car pela segunda vez consecutiva na temporada.
E não demorou para a direção de prova decidir que seria mais prudente parar a prova para esperar a chuva dar uma aliviada. E isso acabou ocasionando o momento mais angustiante da prova.
Ao longo de uma hora com a prova interrompida, tivemos que ouvir Galvão Bueno falando sobre assuntos que variaram de Chico Anysio a 40 anos de transmissão da Globo da Fórmula 1, tudo envolvido por uma necessidade quase patológica do apresentador de explicar cada piadinha que estava fazendo.
Tipo “Acho que é essa chuva que o Bernie queria quando mudou o horário do GP da Malásia... veja bem, não é que eu esteja dizendo que é isso mesmo, estou usando BOM HUMOR, entendem?”
O locutor deve ter dito as palavras “bom humor” umas 329 vezes ao longo da prova, e curiosamente o resultado disso era proporcionalmente inverso – cada vez que ele dizia, a gente ficava um pouco mais mal humorado.
E ainda fomos brindados com outra pérola do genial Galvão Bueno: “Fórmula 1 à parte, a stock car brasileira é, COM CERTEZA, a categoria com maior nível de pilotagem em todo o mundo”. Vindo do pai de um cara que é tetracampeão na categoria, acho que podemos questionar a veracidade do comentário?
Em todo caso, a angústia uma hora parou e tivemos a relargada. Com a saída do Safety Car, Button imediatamente parou para fazer sua troca de pneus e, quando o resto do pelotão fez o mesmo na volta seguinte, dava-se a impressão que o britânico havia “did it again”.
Pena que numa afobação pouco característica do piloto inglês, ele acabou perdendo o aerofólio dianteiro num toque com a Force India de Kathikeyan, sendo obrigado a parar para trocar o bico.
Enquanto isso, na zona que foi as paradas para troca de pneus depois do Safety Car, a classificação de repente mostrava Alonso liderando, seguido por um tal de Perez. Hamilton havia perdido tempo no seu pit-stop e se encontrava em terceiro, longe dos dois à sua frente. Mas, claro, com sua McLaren superior e com a pista secando, ultrapassar a Sauber e depois a Ferrari seria apenas uma questão de tempo.
Só que o tempo passou e Hamilton só se afastava dos dois. E Perez chegava cada vez mais em Alonso.
O mexicano fez uma sucessão de voltas mais rápidas e ia tirando tempo de Alonso de forma constante e ameaçadora.
Aí, quando a pista estava suficientemente seca para tentar correr com slicks (sempre com a ameaça de um CHUVARÉU que estava a duas quadras do circuito), todo esperavam que a McLaren de Hamilton voltasse a render e que o inglês recuperasse o terreno perdido. Além disso, esperava-se que Perez finalmente perderia rendimento e se lembraria que estava pilotando um SAUBER, e não uma Ferrari ou McLaren.
O problema é que esqueceram de informar isso ao Perez, porque quando as trocas para slicks aconteceram, isso em nada alterou o panorama da corrida. Alonso liderava, Perez chegava mais e mais, enquanto Hamilton permanecia lááááá atrás.
Com Perez encostado em Alonso a 6 voltas do final, uma vitória mexicana na F1 parecia uma questão de tempo, mas infelizmente o Alonso tem tanta sorte que às vezes me pergunto se ele não é apenas um piloto medíocre que SEM QUERER acerta a hora de acelerar ou brecar. Porque quando a ultrapassagem estava inevitável, Perez pisou na grama e saiu da pista.
O mexicano da Sauber conseguiu voltar, mas havia perdido contato com o espanhol da Ferrari e, por mais que acelerasse, o máximo que conseguiu foi chegar em segundo lugar, a meros 2 segundos de Alonso. Um pecado.
Lá atrás, boas atuações de Raikkonen e Senna, que chegaram em 5º e 6º, mais problemas envolvendo Karthikeyan, cujo bico custou um pneu furado a Sebastian Vettel, e mais uma péssima prova de Felipe Massa, que, com a vitória de seu companheiro de equipe, corre sérios riscos de perder essa vaga na Ferrari antes do que imagina.
Palpite? Acho que Massa não termina esta temporada, e vejo Perez no seu lugar dentro de poucas provas. Só um palpite, mas lembrem-se de mim quando rolar.
Outro momento curioso, como apontou meu caro progenitor Dirk Brown, foi a estranha comunicação de rádio entre a Red Bull e Vettel na última volta, em que eles ora pediam para que o alemão parasse imediatamente, ora mandavam seguir até a bandeirada.
O mais curioso disso tudo? A afirmação da Red Bull de que ela havia perdido comunicação via rádio com Vettel no decorrer da corrida e que tinha recorrido às placas para informar o alemão do que estava acontecendo na prova. Se isso era verdade, o que é que foram as desesperadas orientações por rádio realizadas na última volta? Hmmm...